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Ex-executiva troca carreira de 20 anos para fazer queijos e fatura R$ 500 mil por ano

07/11/2026

Ex-executiva troca carreira de 20 anos para fazer queijos e fatura R$ 500 mil por ano

A ex-executiva financeira Martina Sgarbi mudou de carreira após 20 anos para produzir queijos artesanais. Sua queijaria fatura atualmente cerca de R$ 500 mil por ano.

O negócio surgiu de forma despretensiosa como um hobby de transição alimentar saudável. No sítio do pai, ela usava a churrasqueira para testar receitas de queijos.

A decisão de abrir a empresa ocorreu após ganhar medalha de bronze em um prêmio. Ela então buscou especialização e cursos no exterior.

Após adequar a produção às leis em Boituva, ela conquistou o Selo Arte. A produção mensal é limitada por escolha a 300 quilos.

A queijaria dobrou seu faturamento oferecendo experiências de turismo, com aulas e degustação. Os passeios de barco custam R$ 80 e a degustação, R$ 250.

Durante duas décadas, Martina Sgarbi trabalhou com números. Formada em contabilidade, construiu carreira como executiva financeira de uma rede de lojas e seguiu um caminho profissional bem distante da produção de alimentos.

Hoje, porém, sua rotina é outra: ela produz queijos artesanais, recebe turistas em uma propriedade cercada por Mata Atlântica e comanda uma queijaria que fatura cerca de R$ 500 mil por ano.

A empreendedora investiu cerca de R$ 200 mil para transformar o sítio da família, às margens de uma represa na capital paulista, na sede do negócio. É ali que produz, praticamente sozinha, nove tipos de queijo artesanal, com o apoio de três funcionárias.

Dos números para os queijos

Martina nunca planejou trabalhar com produção artesanal. A escolha pela contabilidade foi racional.

“Eu sempre gostei de números. Na formação acadêmica eu podia ter escolhido administração ou contabilidade. Eu falei assim: um contador pode ser um administrador, mas um administrador não pode ser um contador. E aí eu fui para a contabilidade”, conta.

Os queijos entraram na história anos depois, a partir de uma mudança pessoal.

“Foi uma mudança alimentar, mesmo, de saúde. Eu estava estressada e comendo mal. Sabe quando você fala assim: gente, eu não aguento mais comprar remédio na farmácia? Eu recebi o remédio, vai ser meu alimento”, afirma.

O que começou como um hobby surgiu de forma despretensiosa. Martina utilizava a churrasqueira do sítio do pai para fazer os primeiros experimentos e distribuir os produtos para familiares e amigos.

“Eu brincava de fazer queijo”, lembra.

A virada veio quando ela decidiu submeter um dos produtos a uma premiação do setor.

O objetivo inicial era apenas obter uma avaliação técnica. Mas o queijo conquistou uma medalha de bronze e serviu como validação de mercado.

“Foi quando eu mandei o queijo para o prêmio. Ele ganhou a medalha de bronze. Eu só queria saber o feedback dos jurados. Aí eu falei: se o mundo do queijo está me chamando. E resolvi fazer um plano de negócio”, conta.

Antes de abrir a empresa, a empreendedora investiu em especialização e fez cursos no exterior para aprofundar os conhecimentos sobre produção artesanal.

Barreiras regulatórias mudaram o projeto

O plano inicial era criar uma queijaria urbana na cidade de São Paulo, mas a legislação obrigou uma mudança de estratégia.

Martina instalou a produção em Boituva, no interior paulista, e enfrentou limitações comerciais até conseguir o Selo Arte, certificação que reconhece produtos artesanais.

“Eu fui para o Ministério da Agricultura provar que eu era artesanal e consegui o Selo Arte. Aí consegui vender para o Brasil inteiro”, afirma.

A certificação permitiu ampliar o mercado consumidor e consolidar o negócio.

Embora tenha capacidade para produzir mais, Martina limita a fabricação a cerca de 300 quilos de queijo por mês.

A decisão está ligada ao modelo de negócio adotado, voltado para a produção artesanal e para a valorização do processo.

“Eu gosto de colocar a mão na massa. Eu falo que é a minha terapia fazer os meus queijos. Então não aumentar a escala”, diz.

Além disso, a empreendedora aposta em uma cadeia produtiva local. O leite utilizado na fabricação vem de propriedades vizinhas.

“Compro aqui do meu vizinho. Ele tem uma renda. O soro que sobra eu dou para a prefeitura. A prefeitura transforma isso em biofertilizante natural para o capim crescer, as frutas continuarem e a Mata Atlântica não morrer”, explica.

Turismo e degustação dobraram o faturamento

Mais do que vender queijo, Martina passou a comercializar uma experiência. Os visitantes chegam à propriedade mediante agendamento, participam de uma aula sobre produção artesanal e encerram o passeio com degustação.

A experiência recebe até 25 pessoas por vez. O passeio de barco custa R$ 80 e a degustação, R$ 250 por participante.

Segundo a empresária, a estratégia transformou os resultados financeiros.

“Não existe uma propaganda. A propaganda sou eu falando. Eles entram na queijaria, eu mostro. Eu mostro o natural”, afirma.

“Dobrou”, responde ao ser questionada sobre o efeito da experiência turística no faturamento.

Empreender exigiu mais que conhecimento técnico

Apesar da experiência corporativa, Martina afirma que a maior dificuldade não esteve nos números.

“Entra muito o psicológico, entra muito o seu pensamento. Sua coragem entra muito nisso. Não é só o que você aprendeu, o seu profissionalismo”, afirma.

Sete anos depois de iniciar a jornada empreendedora, ela diz que os erros se transformaram em aprendizado.

“Você erra. Ninguém é perfeito. Não existe acerto 100%. Às vezes eu acho que o erro é para te mostrar qual é o caminho que você tem que seguir. Talvez você mude um pouco a sua rota, mas você não pode desistir.”

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