Um projeto de lei em homenagem ao influenciador conservador americano Charlie Kirk, morto em 2025, causa polêmica na Câmara de Goiânia. A proposta cria uma comenda anual.
A proposta foi aprovada em primeira votação simbólica no dia 29 de outubro. Se aprovada em definitivo, a homenagem poderá ser concedida a até 50 pessoas por ano.
Os vereadores de oposição criticaram a iniciativa e chamaram Kirk de "trumpista" e "supremacista". O autor do projeto defendeu a proposta e rebateu as críticas dos colegas.
Charlie Kirk ficou conhecido nos Estados Unidos por debater com jovens e defender ideias polêmicas. Ele morreu baleado aos 31 anos, em setembro de 2025.
Um projeto do vereador Igor Franco (Podemos) em homenagem ao influenciador conservador dos Estados Unidos Charlie Kirk, assassinado em 2025, tem gerado polêmica na Câmara de Goiânia. A proposta, intitulada Comenda Charlie Kirk, homenageia personalidades, instituições e lideranças conservadoras.
O projeto foi aprovado em uma primeira votação simbólica no dia 29 de outubro. Nesse tipo de votação, são contabilizados somente as manifestações contrárias, sendo as de Aava Santiago (PSB) e Fabrício Rosa (PT), segundo a Câmara de Goiânia.
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Caso entre em vigor, a Comenda será concedida anualmente durante uma sessão solene realizada no mês de novembro ou em uma data próxima. As homenagens precisarão ser solicitadas por um ou mais vereadores, e aprovadas em votação aberta.
Após aprovado, até 50 pessoas poderão ser homenageadas por solenidade. A proposta descreve que os homenageados serão aqueles que se destacaram na "defesa dos valores conservadores, cristãos e da liberdade individual, contribuindo para o fortalecimento da democracia, da cidadania e dos princípios éticos".
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O projeto descreve que, caso aprovado, uma medalha será concedida durante as homenagens, contendo o brasão da Câmara Municipal de Goiânia em uma das faces, e a frase "Comenda de Honra ao Mérito Charlie Kirk - Valores Conservadores e Liberdade" na outra.
O projeto continuava em trâmite até a última atualização desta reportagem. O vereador Fabrício chegou a criar um abaixo assinado contra a proposta, que já conta com mais de 25 mil assinaturas.
Polêmica
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Ao g1, Fabrício Rosa lembrou discursos polêmicos do ativista americano, que chamou de "trumpista", em referência ao atual presidente do país. Ele afirmou que os posicionamentos do ativista refletem nas homenagens que seriam entregues pela Câmara.
"Charlie Kirk foi um ativista trumpista que chamou de “grande erro” a aprovação da lei americana que proibiu a discriminação racial em espaços públicos. Depois, chamou essa legislação de 'arma contra os brancos' [...]. Uma medalha da Câmara carrega o nome de uma cidade inteira, inclusive das pessoas que sofrem racismo todos os dias", disse.
Fabrício também apresentou um projeto relacionado a homenagens para votação na Câmara que propunha a criação da Sessão Especial em Homenagem às Torcidas Antifascistas dos times de futebol da capital, mas a proposta foi rejeitada por 14 votos contrários e 5 a favor na terça-feira (3).
A vereadora Aava Santiago afirmou que respeita a divergência de pensamento na Câmara e não se opõe a monções de aplauso e entrega de títulos para conservadores, mas disse que Charlie Kirk era um "supremacista" e criticou posicionamentos polêmicos do ativista.
"Eu votei contra a criação da Comenda Charlie Kirk, e acredito que a Câmara precisa rever a decisão de criá-la, porque ao criar uma comenda não é mais o vereador autor que está tendo essa ideia enquanto um legislador com livre poder de pensamento, mas é o Poder Legislativo que está dizendo pra sociedade que ideias supremacistas não devem ser enfrentadas, mas transformadas em honrarias", explicou Aava.
Em defesa da proposta, Igor Franco afirmou que, embora a homenagem leve o nome do ativista, isso não significa que há uma concordância total com todas as declarações e posicionamentos do influenciador. Ele também mencionou as críticas recebidas em relação ao projeto e destacou que não aceitará o que chamou de "ataques pessoais, intimidações ou tentativas de desqualificar quem pensa diferente".
"Sobre o vereador Fabrício Rosa, entendo que ele tem todo o direito de se posicionar contra a comenda. O que não pode é querer estabelecer quais valores e quais personalidades podem ou não ser homenageados pelo Legislativo. A Câmara precisa ser um espaço de pluralidade, e essa pluralidade também precisa contemplar os cristãos e os conservadores", escreveu.
Charlie Kirk
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Charlie Kirk ficou conhecido na direita americana, principalmente entre jovens conservadores por meio do formato "prove que estou errado". Nesse formato, ele posicionava um cartaz com a frase próximo a si e convidava pessoas, principalmente com posicionamentos contrários, para debater em público.
Entre as ideias mais polêmicas defendidas pelo ativista estavam: abolição de iniciativas agressivas de combate às mudanças climáticas, existência de apenas dois gêneros e incentivo a denúncias de professores que, em tese, praticassem a chamada “ideologia de gênero” durante as aulas.
No dia 11 de setembro de 2025, durante um evento na Universidade Utah Valley, Kirk foi baleado e morreu aos 31 anos.
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